Santander, BBI e BofA cortam recomendação após decepção com dividendos


A decepção com o não-pagamento de dividendos extraordinários já trouxe efeitos na recomendação dos bancos para as ações da Petrobras (PETR3;PETR4).

O Santander e o Bradesco BBI rebaixaram a recomendação dos ativos de equivalente à compra (outperform, ou desempenho acima da média do mercado) para neutro após a proposta do Conselho de Administração de distribuição de dividendos de R$ 14,2 bilhões, enquanto analistas esperavam uma distribuição extraordinária. Em vez disso, o conselho optou por direcionar US$ 9,0 bilhões (cerca de R$ 43,9 bilhões) na criação de uma reserva de Remuneração de Capital.

Mais tarde nesta sexta, foi a vez dos analistas do Bank of America Caio Ribeiro e Leonardo Marcondes cortarem a recomendação dos papéis da companhia, bem como preço-alvo das ações para R$ 38 (US$ 16 para o ADR) ante R$ 48 reais (US$ 20,20), citando expectativas significativamente mais baixas de retorno de caixa total e maior percepção de risco.

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“A empresa optou por reter caixa, enquanto o mercado esperava US$ 4,0-5,0 bilhões em pagamentos extraordinários referentes a 2023. A empresa pagará apenas US$ 2,9 bilhões em dividendos pelos resultados do 4T23 com base na política mínima”, apontaram os analistas do BBI.

O banco ressalta a informação da Petrobras de que os US$ 8,8 bilhões em dividendos poderiam ser retidos para um potencial pagamento futuro, mas o momento para isso é incerto. “Esta decisão traz incerteza à política, que antes era muito clara”, afirma a equipe de análise.

Assim, os analistas reduziram a premissa de US$ 5 bilhões/ano para dividendos extraordinários para US$ 2 bilhões/ano (além dos pagamentos mínimos de US$ 9,6 bilhões para o restante de 2024 e US$ 7,8 bilhões para 2025), o que traria o dividendo yield (rendimento de dividendos, ou dividendo sobre o preço da ação) restante esperado para 2024 para 9% e para 2025, ante 12% (com potencial adicional de queda).

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“Como resultado, não vemos mais o rendimento de dividendos da Petrobras como atraente em comparação com seus pares globais”, afirmam os analistas do BBI, que reduziram o preço-alvo para PETR4 de R$ 48 para R$ 41, ou uma alta de apenas 1,5% frente o fechamento da véspera; para os ADRs PBR (equivalente aos ordinários), o preço-alvo caiu de US$ 20 para US$ 17, um potencial de alta de 1,8%.

“Do ponto de vista dos investidores dos mercados emergentes, acreditamos que os fluxos poderão afastar-se da Petrobras para as empresas petrolíferas chinesas (PetroChina, Sinopec), dada a recente reviravolta na disciplina de capital e nos fortes programas de recompra, e também para a Aramco numa potencial oferta secundária”, avalia o banco.

O Santander cortou o preço-alvo de R$ 52 para R$ 47 para PETR3 (ainda um upside de 14%) e de US$ 19 para US$ 18 para o ADR PBR (upside de 8%). O banco vê a Petrobras mantendo fundamentos sólidos, mas avalia que a visibilidade em relação à alocação de capital de curto prazo cai significativamente, especialmente dada a posição de caixa de em 2023.

Além disso, sem dividendos extraordinários, o banco vê que a Petrobras negociando com um dividend yield (dividendo em relação ao dividendo das ações) de cerca de 9%, o que está em grande parte em linha com os pares latino-americanos/europeus.

“Acreditamos que a falta de dividendos extraordinários envia sinais confusos em relação à estratégia de alocação de capital de curto prazo, especialmente porque vemos a Petrobras detendo US$ 18 bilhões em caixa no final de 2023 (contra uma posição de caixa de referência de cerca de US$ 8 bilhões, que assumimos ser suficiente para cobrir planos de Opex/Capex). Isto sugere uma posição de caixa excedente de aproximadamente US$ 10 bilhões. Esperamos que a Petrobras gere um fluxo de caixa operacional de cerca de US$ 40 bilhões em 2024, o que é mais que suficiente para financiar investimentos”, apontam os analistas do Santander.

O banco vê a Petrobras potencialmente acelerando a atividade de fusões e aquisições em 2024, o que poderia limitar o potencial de pagamentos extraordinários de dividendos, aproximando o rendimento de dividendos da Petrobras dos seus pares.

O Santander também reduziu as suas expectativas de dividendos para 2024 de US$ 16 bilhões para US$ 9,5 bilhões (8,8% de dividend yield), até ter mais clareza sobre o momento/magnitude dos pagamentos extraordinários de dividendos no futuro. Assim, embora o conselho de administração tenha proposto que os R$ 43,9 bilhões fossem direcionados para a “reserva de remuneração de capital”, que deveria ser usada para dividendos, juros sobre capital próprio e/ou recompras, agora há menor visibilidade sobre quando esse capital poderia ser distribuído. “Com um rendimento de dividendos de aproximadamente 9%, vemos a Petrobras sendo negociada em um nível próximo aos pares latino-americanos/europeus”, avalia o Santander.

Para o banco, a Petrobras ainda é uma empresa forte, mas as ações agora carecem de catalisadores, na nossa opinião. “De acordo com pesquisa que realizamos em 26 de fevereiro, 50% dos investidores não pretendiam manter a Petrobras após os resultados do 4T23 e 50% indicaram dividendos extraordinários como o principal catalisadores das ações em 2024. Acreditamos que fundamentos sólidos prevalecerão novamente no futuro, especialmente se a Petrobras prosseguir uma estratégia de transição energética a ritmo lento. Contudo, acreditamos que é necessária mais clareza sobre a orientação estratégica de curto prazo para uma visão mais otimista sobre o ativo”, ressalta.

A Genial Investimentos, por sua vez, destacou seguir com a recomendação de manutenção para PETR4, com preço-alvo de R$ 47 (upside de 16%). O provento, avalia a casa, implica em um rendimento de 2,7% no 4T23 e 10,8% em termos anualizados – interessante, mas não o suficiente para justificar um posicionamento mais agressivo no papel.

Tendo em vista que a companhia poderia pagar um dividendo maior tendo em vista a geração de caixa da empresa, “o grande temor permanece no uso desses recursos com foco de acelerar a transição energética em projetos que julgamos pouco interessante tendo em vista os grandes retornos do segmento de E&P, especialmente o pré-sal e a margem equatorial”.



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